quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

La fiesta de las revoluciones!



Eu não suporto mais manifestos!
Tem gente que não pode ver um megafone que já sai "metendo" a boca! Manifesta-se por tudo hoje em dia, basta não gostar de algo, montar uma "quadrilha" e sair às ruas! Muitos não sabem nem o que estão fazendo, dizendo ou pelo que estão "lutando".
Sim, caros “ledores”! “Minervei”!
Quatro coisas “de Deus” que eu aceito: contra a fome; contra o desvio de verbas públicas; “Salvem a Natureza!” e antiviolência (qualquer). São dignos! São maestros e ne-ces-sá-ri-os! Mas “hipocrisurto”?! No baby, no more, please!
“Sou viado e tenho orgulho!”
“Sou vegetariano e sou correto!”
“Sou não fumante e o oxigênio me respira!”
“Sou magra e não tenho pe-so na consciência!”
Que tal revermos alguns conceitos? É rápido e não dói!
Opção sexual chama-se op-ção e não o-bri-ga-ção, então, “mon amour”, já tens liberdade de escolha.
Quer comer verde ao invés de vermelho? Só tu, Brutus, pode decidir! Coma e não mate o “merchand grelhado”!
Que belo pulmão você tem! “Rosáceo”, saudável; o meu é... digamos (e maldigamos), “putrefatinho”, mas é MEU, e tua fumaça automobilisticamente inalada, te corrói “more than my cigarette”!
Now, essa vai para as “anorexobulêmicas”, “homens não gostam de ossos, gostam de carne e blá... blá... blá...” It’s lie! Não em todos os casos, mas na maioria deles! Porém, friends, não “injetem” isso em suas cabecinhas saudáveis! Pleeease!
Milhões de SE-RES HU-MA-NOS passam fome! Milhões de ÁR-VO-RES são derrubadas por dia! Milhões de REAI$ são “justos” retirados do seu “misesalário” “diariomensalmente”! Milhões de crianças, jovens, adultos e idosos estão sendo vítimas de algum tipo de violência enquanto você lê este post!
Você sabe a diferença entre prazer e censura?
Prazer é não se importar com o que se tem no meio das pernas e “beijar” assim mesmo, porque te agrada! (você pode fazer isso.)
Prazer é poder comer o que você quiser, porque são suas mãos que levam a sua boca! (você pode fazer isso.)
Prazer é você VI-VER, seja com um pulmão limpo ou não, pois em um belo dia pode morrer de acidente! (você nem sempre prevê isso.)   
Prazer é você ser invejada pelo seu tórax, coxas e bunda ou simplesmente pelo seu belo par de caráter/inteligência! (você é o que quer ser.)
Censura existe! Dificuldades existem! Não aceitação existe!
Quer um exemplo?
Tenho 27 anos, um filho, 1,60m, 60kg, muitas contas, casa alugada, pulmão “zebra”, sou classe “A” e faço parzinho com a classe “O”, minha dieta é verde, vermelha e amarelo cevada, sou Palmeiras e tenho pânico de Louva-Deus e nem por isso deixo de amar você, caríssimo amigo, que pode nem ir com a minha cara.
Agora, quanto aos “Manifestos Toddynhos”, que tal trocarmos pela palavra RESPEITO?!

Lici Cruz

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ainda dá tempo...



Qual é o seu desejo para o ano que se aproxima?
O de Amália é arrumar um marido que não bata nela...
Adriano vai para a praia com os amigos no fim do ano, mas não com todos eles, porque Marcos vai “ter” que trabalhar. Está revoltado. Ao contrário de Osmar, que nunca viu Marcos, mas está todo orgulhoso com seu emprego novo. Finalmente seu filho vai tomar um guaraná todinho, sozinho... pediu ao pai há dois anos...
A esposa de Osmar, Janete, vai ganhar panetone. Ganha todos os anos. Adora as frutinhas que vêm no meio. Sua patroa, Sueli, é “muito generosa”...
Sueli é mãe de Amanda. Amanda nunca usou a blusinha lilás que ganhou de sua amiga secreta do ano passado. Não combina com seu tom de pele...
Do outro lado da cidade, Sônia orgulha-se do quão perfeito ficou o remendo novo em sua saia de quatro anos de idade. Agora só falta uma blusinha...
A Família Camargo fará sua tradicional ceia natalina, com direito a peru, vinhos nobres e fogos de artifício. André ainda não sabe se vai ter o que comer, mas ele nunca perde de ver os fogos de cima da árvore em frente a sua casa...
E você, o que vai fazer com o seu Natal? Com o seu Ano Novo? Com o seu fim de 2011 e seu início de 2012?
Fernanda vai passar à beira da praia. Luís à beira da mesa. Cláudia à beira da pia. Rafael à beira de um coma alcoólico. Diogo à beira da morte...
Neste fim de ano, brinde à Vida. Compartilhe sorrisos. Agradeça mais. Deseje o melhor para você, mas jamais se esqueça das outras vidas, que podem não fazer parte da sua história, mas também fazem o seu mundo girar.

Lici Cruz

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Acho que vou “infartá”!



O que é, o que é? Muita gente adora; quanto pior, melhor e muitos exibem como um Diploma?
Resposta: “Atestado médico”.
É mais ou menos assim que ocorre:
— Nossa! Você “pegou” 10 dias de atestado?! O que aconteceu?
— Nem te conto – e conta, com orgulho ainda. – fui ao médico e ele disse que era uma gripe apenas, mas eu sabia que não era. Eu nunca havia sentido aquilo! Cheguei a desmaiar e...
E a pessoa, certa de que estava a beira da morte, fez sua procissão por todos os hospitais e postos de saúde possíveis, até que encontrou um “médico” que, mesmo sem levantar a cabeça para ver se o paciente era homem ou mulher, deu o tão esperado diagnóstico:
— ... Até que um médico disse que eu estava com uma “Infecção Pulmonar Bilateral”!
— Nooossa!
Neste momento até os supostos pulmões debilitados se enchem de orgulho diante de tão imponente título.
E é assim que a dolosa nobreza é conquistada, importante é quem tem doença com nome e sobrenome, inteligente os que as têm com designação em sigla e se o nome for estrangeiro então, o indivíduo até aprende a falar outra língua para pronunciá-lo corretamente. Coisa linda de se ver!
Há, ainda, aqueles que não se importam muito com a “qualidade”, mas com a quantidade. Se pudessem, com certeza, acrescentariam um sobrenome a mais em seu registro, do tipo: “Maria Aparecida da Silva Ite” ou “João Pedro dos Santos Ismo”.
E assim as filas crescem, e assim o país caminha a passos mancos. De fato que não é para frente, mas é que fica difícil trabalhar quando se está “doente”...

Lici Cruz

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Por hoje é só...



Amiguinhas da classe “A” respondam, com sim ou não, a esse pequeno questionário:

1 - Você já levou um fora?
2 - Você já ganhou um ilustre par de chifres?
3 - Você já chorou por um FDP que não valia nem uma bala de cereja (daquelas que cortam a língua)?
4 - Você já teve uma TPM do além, daquelas que dá vontade de chutar o Papa?

Se você disse sim à maioria das questões, vai entender o que vou expor.
Se preparem minhas lindas, porque se trata de algo cruel, desumano, humilhante, estressante, é o “ó do borogodó”! Algo que te paralisa. Algo que te faz se perguntar “por quê?”. Algo que te faz expor, inescrupulosamente, toda a sua intimidade e que recebe o justiceiro nome de “detector de metais”.
Um homem, lindo e belo, chega a uma agência bancária, tira a chave e o celular dos bolsos e gira, imponente, pela porta. Nós, graciosas e perfumadas, seguimos o caminho desbravado pelo ser e... pi pi pi! (ofensa nº 1).
— Senhora (ofensa nº 2), tem algo além da sua chave, seu celular, seu pen drive, seu nécessaire ou seu cinto de castidade?
“Tem sim, querido segurança, AS DUAS METRALHADORAS QUE ESTÃO ESCONDIDAS NA MINHA BUNDA!”
— Não... eu acho que não...
— Abra sua bolsa para eu ver... (ofensa nº 3)
Neste exato momento, os vencedores da “Maratona da porta giratória” já fazem parte da plateia (ofensa nº 4).
— O que eu tenho é isso...
Neste outro exato momento, um “estranho desconhecido” “analisa” coisas que nem você lembrava que carregava nos ombros (ofensa nº 5x1000) e, com um sorrisinho “bandido e maléfico”, diz:
— Ok, pode passar...
E você faz o ritual da ciranda, bota um sorriso “yellow egg” na cara, faz um ar de “não foi comigo” e cumpre seu papel de contribuinte.
— Mais alguma coisa? – pergunta “o caixa”.
“Pague-me uma indenização por danos morais, seu cretino!”
 — Não, obrigada... por hoje é só...

Lici Cruz

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Lici e o Espelho 2


Espelho: — Oi, bom dia!
Lici: — Oi...
— Tá tudo bem com você?
— Tá...
— Então por que essa cara de bunda?
— Nada, ué!
— Anda, fala logo... eu sei que não está tudo bem...
— E como você sabe?
— Será que é porque sou um espelho? Aff... fala logo. Algo que eu fiz?
— Sim...
— O que é que foi agora?! Deixa eu tentar adivinhar: gorduras localizadas? Celulites? Marcas de expressão? Minha querida, o que eu posso fazer?! A sinceridade é a minha ferramenta de trabalho!
— Eu sei, mas bem que tu podia colaborar, né?!
— Você tem três opções: me cubra, se arrume ou me quebre, lembrando que essa última vai te dar sete anos de azar... apesar que na sua atual situação... HAHAHAHA! Ok, desculpa... hihihihi...
— Tá vendo?! Não tem como conversar com você! Você é muito estúpido, grosso, ignorante...
— Calma! Volta aqui! Foi mal...
— Foi péssimo!
— Ok, desculpa. Faz o seguinte: lave esse rosto e faz uma maquiagem bem bonita!
— Pra quê? Não vou a lugar algum...
— Isso se chama autoestima, minha querida!
— Tá...
...
— Pronto?! Deixa eu ver... CRENDIOSPAI! JÁ É HALLOWEEN?!
Aaaaaaaahhhhhhh!!!
— Aaaaaaaahhhhhhh!!!

Lici Cruz

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Quando o coração resolve falar...


Eu quero um banho de mar
Eu quero navegar
Eu quero bancar a louca
Eu quero um beijo na boca
De quem quiser me beijar
Eu quero virar o disco
Eu quero virar um risco
Para ninguém me pegar
Eu quero abafar o caso
Eu quero ter um orgasmo
Antes que sirvam o jantar
Não quero minha foto de enfeite
Não quero chorar sobre o leite
Que você derramar
Eu quero morrer de carinho
Eu quero seu beijo com vinho
Eu não vou buscar
Eu quero meu sorriso se abrindo
A figura de um garçom vindo
Sem ter hora para voltar
Eu quero você sabe quando?
Enquanto estiver me amando
Eu vou te amar...
Perdoe a minha loucura
Mas viver já é uma insanidade pura
E eu quero te encontrar
Eu quero bater na sua porta
Não quero... não quero estar morta
Quando a morte chegar...

Lici Cruz

Ladainha de uma vida


Primeiro suspiro
Choro
Fraldas
Choro
Mamadeira
Choro
Primeiros passos
Choro
Primeiro tombo
Choro
Não mexe aí!
Choro
Primeiras palavras
Choro
Primeiro dia de aula
Choro
Primeira nota
Choro
Primeiro amor
Choro
Primeiro beijo
Choro
Primeira desilusão
Choro
Primeiro porre
Choro
Primeira vez
Choro
Primeiro emprego
Choro
Aprovação no vestibular
Choro
Formatura
Choro
Casamento
Choro
Primeira briga
Choro
Primeiro filho
Choro
Separação
Choro
Superação
Choro
Filhos saindo de casa
Choro
Rugas
Choro
Cabelos brancos
Choro
Primeiros sintomas
Choro
Hospital
Choro
Fraldas
Choro
Último suspiro
Choro...

Lici cruz

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O meu nome é Fato, mas pode me chamar de “Justiça”!


— Já abotoaram o paletó?
Só pra constar, Osório mó-rreu (não é assim que se separa sílabas, mas o assunto é o velório do Osório, ok?!)
Quem é Osório? Osório não é... foi... Foi Osório jornaleiro. Em um dia de Sol a pino, comeu muita feijoada. Desmaiou. Um carro ultrapassou o sinal vermelho e o atropelou.
Se o carro parou? Que nada! Era potente. Potente para passar por cima e virar um risco.
Se anotaram a placa? O Zé do posto anotou... era filho do Sr. Onofre de Souza Sobrado.
Se o Sr. Souza Sobrado era o patrão do Osório? Como você sabe? Conhece o Osório?
O fato é que Osório foi velado. A família chorou e o coveiro enterrou. Marquinhos ficou impune...
Quem é Marquinhos? Porra! Tu conhece o Osório, o Sr. Souza Sobrado e não sabe quem é o Marquinhos? O assassino! Ok, nome pesado.
Mas o fato é que Osório morreu, em um “acidente”. Marquinhos (ficha suja) sumiu e o Sr. Souza Sobrado pagou o estrago. Depois morreu...
Como? Por quê? Estava saindo da empresa, atravessou o sinal vermelho e o Jadisom bateu nele com o caminhão...
Sim... sim... o Jadisom, filho do Osório...
Como o que é que deu?! Jadisom se desesperou... desceu do caminhão e ligou para o “socorro”...
O Sr. Souza Sobrado? Espera um pouco...
— Já abotoaram o paletó?
O Sr. Souza Sobrado vai ser velado as 17h... e o Jadisom? Está preso, claro... pagando pelo que fez...

Lici Cruz

Inexplicável


Como explicar ao mundo
O que o seu sorriso me causa?
Como medir a intensidade da sua luz?
Tentarei dizendo que isso é Amor...
Mas como, se o que sinto é muito maior do que Amor?
Você é o meu Sol impossível em noite nublada
Você é a cura dos meus erros do passado
Você é o salto do meu coração em terno abraço
Você é o meu tudo e o meu mais que tudo
Quantas vezes eu lutei contra a vida...
E agora, por Deus! Que ela seja eterna
Porque você é minha vida
E porque a ela dei o nome de Arthur...

Lici Cruz

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Boa noite, Antonio...



João, 68, acaba de ser contratado por uma grande empresa. Serviço comum, mas a carteira é assinada. Burocracias fechadas. João acorda para seu primeiro dia de Trabalho. Chega à empresa. Encontra Antonio, 35, sete anos vestindo a camisa.
— Bom dia! – diz João.
Antonio não responde.
João tem um dia excelente, faz amigos e volta para a casa útil. Antonio tem um dia “péssimo”. Bate na mulher.
Terça-feira. João acorda animado. Antonio... acorda. João chega à empresa e faz positivo para o porteiro. Antonio passa o cartão.
— Bom dia! – diz João.
Antonio segue.
João tem um dia ruim. Antonio recebe uma promoção. João volta para a casa assoviando. Antonio bate nos filhos.
Um mês se passa. Dia de pagamento. João...
— Bom dia!
Antonio bate a porta.
João sorri, vai conseguir almoçar todos os dias. Antonio, agora, paga pensão para três.
Um ano se passa. João... João não aparece na empresa. Antonio passa devagar. Lê o aviso no mural: “É com pesar que informamos o falecimento do nosso querido funcionário João...”.
— Morreu de quê? – pergunta um zelador.
— Foi o Alzheimer... quando ele entrou na empresa já estava ruim... o médico havia dito que ele não passaria de um ano... – responde outro mais chegado.
“O velório será às 19h.” – finaliza o comunicado.
Antonio vai para a casa. Ajoelha. Reza... e chora oito anos de ignorância e agradece um ano de VALOR.
Uma semana se passa. José é João agora.
— Bom dia! – diz Antonio.
— Que o seu dia seja bom também... – responde José.
José tem um dia bom.
Antonio cobre os filhos, beija sua esposa e diz:
— Boa noite, João...

Lici Cruz

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Eu quero ser pobre!



— EU QUERO SER POBRE! – esbravejou em trovoadas o vereador durante uma sessão na câmara – estou cansado de enriquecer-me com a “venda” de dentaduras. Deixo, agora, o meu cargo... quero lutar pela minha própria dentadura!
Com a repercussão do ato, sobre um palanque improvisado no centro da cidade, o prefeito faz uma solene declaração:
— Diante de tal fato, ocorrido na câmara de vereadores essa semana, declaro que: EU QUERO SER POBRE! Abrirei mão de todos os meus carros, fazendas e empresas, “conquistados” com o desvio de verbas do governo. Empenhar-me-ei, agora, em lutar para conquistar meu próprio pedaço de chão e trabalharei arduamente para dele tirar o meu sustento.
Luzes, câmeras, ação! Assunto de primeira página e chamada central dos principais jornais. Em casa, um deputado levanta-se de sua banheira de hidromassagem, dispensa suas “companheiras” e liga imediatamente para um de seus assessores:
— Contate os demais companheiros de partido, tenho algo importantíssimo a declarar...
Entre lagostas e Chardonnays franceses, o deputado tilinta sua taça e proclama em tom de “Oscar”:
— Companheiros... EU QUERO SER POBRE! – e prossegue, agora, com agudos eleitorais – Digo não ao dinheiro fácil! Digo não ao dinheiro “zelado” por cuecas, meias e afins. Renego minhas mansões, minhas empresas e contas no exterior. A partir deste momento, vou trabalhar duro para tirar do meu suor o elixir da minha sobrevivência!
— Vossa excelência, a presidente está na linha.
— Sim, excelentíssima... claro... sim, pode confiar, roubar não está com nada... sim a apoiarei com certeza...
Interrompemos nossa programação para um pronunciamento da excelentíssima senhora presidente da república:
— Meus caros... em solidariedade a vocês, que eu tanto estimo e admiro, solenemente, declaro que: EU QUERO SER POBRE! Fora o luxo! A partir de hoje só irei locomover-me a pé ou por meio de algum transporte coletivo, enfrentarei as temidas filas do SUS, abrirei mão de cada centavo “meu” ganho com o suor de vocês. Caros amigos e amigas, como prova da minha palavra e do meu desapego material, convoco todos vocês para nos reunirmos, neste domingo, em um evento único, jamais visto em todo o mundo, que entrará para a história do país, em que doarei ao “meu povo” tudo aquilo que ele me deu em impostos, taxas e juros. “Darei ao povo o que é do povo!”.
Eis que domingo chega. Brasília é minúscula para tanta gente. A multidão apreensiva avista a grande “seleção brasileira de novos humildes” em frente ao Palácio do Planalto. Câmeras focadas na rainha da colmeia. Eis que ela fala a seus operários:
— Como prometido aqui estou... e dentro desta pasta, que tenho em mãos, estão os direitos a todos os meus bens e de todos os meus amigos parlamentares que, em peso, aderiram a essa onda de gestos tão sublimes, humildes, solidários e humanitários. Diante disso, meus caros... diante deste ato de exorcismo da riqueza e luxúria, de exorcismo desse dinheiro sujo e desonesto, eu lhes pergunto... há no meio de vocês, trabalhadores incansáveis, alguém que aceite esses bens sórdidos, assim, de mão beijada?!
Uma mão se levanta. Cento e outras a acompanham. Em poucos segundos já são milhões. Parlamentares se entreolham e cabisbaixos, com gestos de negação e decepção, exclamam entre eles:
— É por isso que o país não progride... o povo é interesseiro, não quer trabalhar, só quer dinheiro fácil!
— Pois é... bando de filhos da puta!

Lici Cruz

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A Lici e o Espelho



Espelho: — Quanto você já chorou em um mês?
Lici: — Ah! Eu quase não... chorei...
— Consegue contar quantas vezes?
— Umas... ah! Não sei certinho...
— Pode descrevê-las?
— As deste mês?
— Do mês passado...
— Deixa eu ver... chorei por 2 homens...
— Uia! Dois?!
— Um por raiva, outro por Amor...
— Ah...
— Posso continuar?
— Sim, prossiga...
— Chorei por 2 homens, 1 cólica do além, 4 dias de serviço do cão, 2 contas não pagas, 2 dedos presos no portão, 1 vídeo da Internet, 4 ou 5 músicas perfeitas, 1 filme e 1 novela... ah! E pelo preço da carne... é... por isso também...
— Pelo preço da carne?!
— Semana de TPM, sabe como é né...
— Ah... mas ta melhor agora?
— Em partes sim...
— Por quê?
— Ah! Um homem, o da raiva, já passou...
— Que bom né?!
— Sim... os 2 dedos do portão já sararam, foi no comecinho do mês. A cólica também já passou. O estresse do trabalho... ah! Já estou calejada. As contas... as contas... ai meu Deus! As contas! Acho que vou...
— Calma! Controle-se! Engole o choro e continua...
— Ok... o vídeo da Internet... lindo, menina, precisa ver! O vídeo da Internet, juntamente com o filme e as músicas... ah! É bem relativo... depende do momento. A novela prosseguiu e o preço da carne... afff! Quem, em sã consciência, chora pelo preço da carne?!
— É...
— Tá, entendi...
— Não faltou nada, nem ninguém?
— Que eu queira... que... que eu queira me lembrar... naaaaaaaaaaawww!!!
— Opa! Opa! Ta aqui a toalha. Lave esse rosto. Assim... pronto. Agora sacode a poeira, menina! Dá a volta por cima! Olhe! Veja você!
— Obrigada...
— Não... não... não tem de quêêêêêêêêê!!!
— Espelho! Por que você está chorando?!
— PUTA QUE O PARIU! TU JÁ VIU COMO TU TÁ ACABADA?!
— Aaaaaaaahhhhhhh!!!
— Aaaaaaaahhhhhhh!!!

Lici Cruz

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Último soneto ao meu primeiro Amor

É até estranho eu escrever um soneto, logo eu que sou uma “fora da lei” das métricas poéticas. Sei lá, acho que os heróicos de brados retumbantes tiram um pouco, ou quase toda, nossa subjetividade, nosso sentimento puro. É meio que domar nossa emoção selvagem, que é tão bela, justamente por não nascer em cativeiro.
Mas um soneto... é nobre. E por possuir tal nobreza não poderia faltar-lhe ao mais nobre dos sentimentos... o AMOR...





Último soneto ao meu primeiro Amor

A ti, Amor, serei fiel
De alma, coração e lembranças
Só após contar as estrelas do céu
Perderei as esperanças

Mas no mundo dos normais
Garganta em chamas, Anjo meu
Meu coração não é capaz
Mas minha boca diz... adeus

Por Deus, palavras estas nunca quis
Mas faço-te último pedido
Que siga sem mim e seja feliz

Nos lábios sempre esse sorriso
Que imploro, em outra vida
Não o pedir em despedida

Lici Cruz

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Porque você é meu Anjo...



Se algum dia precisar de amor... eu serei o seu amor.
Se precisar de um abraço... eu me encaixo
Se qualquer maldita lágrima de dor você derramar
Eu posso sorrir para assustá-la
Se quiser cantar, eu posso ser a sua letra
Se quiser dançar eu posso ser seu ritmo
Se algum dia você se perder
Me dê a mão... dance comigo
Cante no meu ouvido...
Dê aquele seu lindo sorriso...
Secarei suas lágrimas...
Te abraçarei como nunca... te amarei como sempre...
E te mostrarei a direção...

Lici Cruz

sábado, 1 de outubro de 2011

“Eu odeio o dia dos namorados?”

Photo By Lici Cruz

Eu deveria escrever um poema, mas é tanto o que eu quero lhe dizer que “silhuetas” planejadas não dariam conta.
Você apareceu em minha vida como um pedreiro (nada contra a classe), cantadas fulas e pose de já conquistei... e conquistou...
De atacante de fila de corredor passou a Anjo protetor. Como? Quando? Como deveria ser e quando eu menos esperava.
Tia de Letras encarando a “histórica” Matemática?! Oito anos + poucos encontros. Poucos? Suficientes para amar... para não esquecer jamais... para colocar você no lugar mais você do meu/seu coração...
Quanta “parada errada”! Quanto beijo encaixado. Quanto desencontro. Quanto amor... de verdade? Siiim!!! De pegar na mão e espremer até ficar sem fôlego! De morder até o último pedaço! De amar de graça só para ver esse sorriso entorpecente!
Pois é... eu poderia escrever um poema... mas sinceramente... preferia escrever VOCÊ em mim...

Lici Cruz

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Menininha arteira hehehe...

Capa do CD "Au sein de moi" da Banda Patriotas do Rock

Disco do CD "Au sein de moi" da Banda Patriotas do Rock


Convites Chá de bebê

Banner aniversário

Covite aniversário (convidados personalizados)





Lembrancinhas aniversário

Etiquetas para lembrancinhas casamento

Adesivo carro

Restauração

Ô lá em casa!



O que é beleza para você?
Quantas mulheres já não sonharam em ser ou se parecer com Sheila Carvalho? Pergunte a essas mesmas mulheres se elas gostariam de passar pelo sentimento de perder um filho?!
Quantos homens já não “usaram” Reinaldo Gianecchini como ícone de beleza masculina, imaginando que se fossem tão bonitos quanto, “pegariam” mais mulheres? Agora pergunte a esses mesmos homens quantos queriam ter câncer?!
Não critico, nem condeno esses EXEMPLOS pelo infortúnio que tiveram, ao contrário, os admiro pela luta. O que proponho é uma análise de quão hipócritas somos. “Enxergamos” e cultivamos tanto a “beleza” do corpo, que esquecemos da beleza HUMANA. Mais uma vez esclareço que não julgo os mesmos exemplos como pessoas “embalagens findas de perfume” (bonitas por fora, vazias por dentro), em ocasiões e tempos diferentes, torci e torço por eles. Mas por que não enxergamos dentro do espelho? Por que não enxergamos “dentro” do corpo do outro?
Em minha época de colégio (há alguns aninhos apenas) tive uma professora, a qual não me convém falar sobre para não baixar o nível do post, que, mesmo com todos os seus infindáveis defeitos, disse algo que jamais esqueci: “Devemos saber a diferença entre olhar, ver e enxergar. O ato de olhar é automático, superficial. Ver, significa que algo te chamou a atenção e que você apreciou ou não, mas é aí que erramos, quando confundimos ver com enxergar, pois enxergar é quando você consegue perceber a alma de algo/alguém e sua verdadeira essência...”.
Ter sabedoria para perceber e amar o verdadeiro “belo” (pelamor não o Belo “cantor”!) não é fácil, mas se fosse não se chamaria DOM...

Lici Cruz

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A importância do nascer e do pôr-do-Sol



Quando meu filho completou um mês, comecei a pensar a quantas coisas desnecessárias damos valor e quantas raras tratamos com indiferença.
Responda ou tente responder:
Quantos anos você tem? 18, 26, 34, 40...?
Por quantas situações boas ou ruins já passou? E uma criança de um mês?
Por que raios uma pessoa tira a vida de um ser tão frágil e com tão pequena trajetória?
Não tão drasticamente, mas seguindo a mesma linha, convém lembramos quantas vezes já choramos, gritamos, fizemos escândalos, por muito ou por NA-DA! E por que alimentamos tanto nosso sórdido egoísmo quando nos irritamos com uma criança que chora e grita há apenas um ano ou pouco mais?
Quantos anos você tem mesmo? Esta cansado(a)?
Por favor, não impeça uma criança de crescer... de viver. Que sejam seus 18, 26, 34, 40...
Caminhando de Leste para Oeste, temos os vovôs e as vovós. Pense em quantas vezes, com seus 18, 20, 25 anos, ele não paquerou a mocinha ou quantas vezes ela não jogou seu charminho para ele... e quando eles falam, você se irrita...
Pense em quantas corridas, danças e escadas já não fizeram parte dos seus 60, 70, 80 ou mais anos... quantas lágrimas e sorrisos, quantas calos e carinhos...
Responda ou tente responder:
Quantas vezes VOCÊ tentou falar e não foi ouvido ou levado a sério?
Quantos anos você tem? Quantos anos você acha que eles levaram para amadurecer e então poderem ser ouvidos e levados a sério? Pode ter certeza de que não foram menos que 60, 70, 80 ou mais... e você se irrita...
Já pensou que poderá ser a última vez que ouvirá aquela voz rouca, batida e cansada?
Por favor, não impeça um idoso de te ensinar a crescer... a viver...

Lici Cruz

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Conselhitos!



Seja como as quatro estações

Tenha sempre:
Seu tempo para cair
Seu tempo para florir
Seu tempo para amadurecer
Seu tempo para iluminar-se

Mas seja, principalmente em essência, como as quatro estações:

Por mais que o inverno dentro de ti seja rigoroso
Lembre-se de que haverá sempre
Um coração de verão para te aquecer com amor verdadeiro

Lici Cruz

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Um poema chamado Merda!



Eu queria tanto me sentir bem
Tanto ir além dessa dor vagabunda
Essa dor que mata sem motivo
Devia eu ser o sossego
O outro lado o desespero
Mas cruel é sempre pra que ama de verdade
Como eu queria ter a destreza tão sublime
De mentir o meu vazio
Como finjo o meu sorriso
Queria com todas as minhas forças
Gastar minha última gota de burrice
Queria não ouvir a doce voz da superação
Por que nunca quis que ela precisasse se pronunciar
Mas que maldito fato se fez
Em hora já tarde, mas imprópria
Que míseros esforços poderiam corrompê-lo
Mas sei como é difícil
Pra quem o amor não é verdadeiro
Lutar por algo que nunca custou
Queria eu também não ter essa dor
Antes tivesse eu me dado o devido valor
Hoje provavelmente
Não teria me tornado peça canto de um brechó.

Lici Cruz

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Desabafo... (desculpem-me)

Se você pensa que já sofreu demais, não espere que o destino entenda isso. A frase, por alguém dita, “aprendemos com as decepções”, é fato... e por estarmos constantemente em aprendizado, nos decepcionamos sempre... e aprendemos...
A vida me aprontou mais uma, não que eu não esperasse, não foi surpresa, eu cultivei... e aprendi que bater em ponta de prego sem o auxílio de um martelo dói... mas não é dor de dói e passa... é dor amarga de pé da garganta que enjoa e depois vira rancor... e vai doer por muitas noites até passar para a próxima fase: a do beleza! (que nunca o é).
Não que eu tivesse uma bola de cristal, mas sabe quando você já sabe no que vai dar? E mesmo assim corrige o espelho dizendo que é capaz de fazer dar certo?! Agonize, você procurou e achou...
A gente só dá valor quando perde?! Porra! Pra quê isso? Eu sempre estive aqui sendo o melhor e mais comportado dos camaleões (se é assim que se pluraliza camaleão) e o outro seguindo sempre a regra do “sou o que quero, paga quem puder”.
Hoje arrisco a constatar que só não me quis, porque eu o quis demais...
Por raios fui inconsequente durante anos e quando achei que perderia o jogo, me tornei honesta, responsável e Mãe... de tudo e por todos... e foi aí que eu acertei errando... foi aí que eu errei seguindo a lei dos bons pricípios...
Mas cansei de desfrutar das deliciosas e nutritivas migalhas. Cansei de abrir mão de gostar de algo com a boca aberta e a “campainha” tremulando... vou amar exageradamente agora, esses dois presentes de Deus: minha vida e meu filho.

Lici Cruz